quinta-feira, 5 de fevereiro de 2004

PENAFIEL NO SÉCULO PASSADO

PENAFIEL - ARRIFANA DE SOUSA


Como fica dito, o nome Penafiel vem de há muitos anos e de muito longe e, segundo a informação “o concelho de Penafiel é isto, mas não só. É também tudo o que lá está construído e adquirido pelo Homem através de séculos de arte, técnica e saberes acumulados.
Deixe-se pois, viajar por aqui. Faça-o com os olhos bem abertos e os ouvidos nada moucos. O verde rodeia-o. Um tom mais escuro será certamente o dos pinheirais e giestas, o verde mais vivo é o da relva e dos milheirais e o mais seco é seguramente o das vinhas.”

 

De Penafiel faz parte a freguesia de Novelas,  esta é a terra que  também viu nascer meus pais, meus avós e meus bisavós e só por isso, sinto uma enorme alegria de viver e também de aqui nascer. Novelas, tem uma história milenar e merece ainda mais. «È muito grande em cultura e associativismo, é mágica e não é necessário perder-se tempo com pequenas coisas medíocres e sem importância, para caracterizar os objectivos, que fizeram e fazem com que seja um terra de cultura uma terra de glória uma terra de vencedores» O seu nome teve origem, antes da fundação da nacionalidade, e esta terra preparava o título á muitos anos. Lá cruzaram-se e passaram grandes homens dos sectores, político-sociais, culturais e desportivo, que muito orgulharam o nome desta Freguesia. Integrante no concelho de Penafiel, Cidade sede do Concelho do mesmo nome, situa-se a 302 metros de altitude, Entre-os-rios Sousa e Cavalum, numa encruzilhada de caminhos e ponto de passagem obrigatório entre o Porto e Vila Real.
 

Pertence ao Distrito do Porto, precisando-se apenas de 20 minutos para cumprir os 30 km que a separam da Capital Nortenha. O seu território, envolvido a Norte pelo rio Sousa e terras dos Municípios de Lousada e Amarante, a Nascente pelo Concelho de Marco de Canavezes e rio Tâmega, a Poente pelos Concelhos de Gondomar, Paredes e novamente pelo rio Sousa e a Sul pelo rio Douro, espraia-se por uma área de aproximadamente 212,82 Km2, repartidos por 38 Freguesias. Alfabeticamente ordenadas, são as seguintes: Abragão, Boelhe, Bustelo, Cabeça Santa, Canelas, Capela, Castelões, Croca, Duas Igrejas, Eja, Figueira, Fonte Arcada, Galegos, Guilhufe, Irivo, Lagares, Luzim, Marecos, Milhundos, Novelas, Oldrões, Paço de Sousa, Paredes, Penafiel, Peroselo, Pinheiro, Portela, Rans, Rio Mau, Rio de Moinhos, S. Mamede de Recesinhos, S. Martinho de Recesinhos, Santa Marta, Santiago de Subarrifana, Sebolido, Urrô, Valpedre e Vila Cova. Geologicamente o granito é nota dominante e a sua exploração ocupa lugar proeminente nas actividades produtivas. Sousa, Tâmega e Douro são os seus principais cursos de água. Como corolário os terrenos são férteis, com grande variedade de produções, nomeadamente milho, feijão, frutas, vinhas e hortícolas, sem esquecer a pecuária. Assim temos que, o extremo Oriente, na Freguesia de Abragão, tem excelentes solos e produz vinhos muito apreciados; A Sul, o milho e a videira coexistem com a floresta de resinosas, e eucalipto, fonte de receita para o Concelho; A pecuária, tanto na carne como no leite constitui outra riqueza; Rio Mau tem no mel o seu ex-libris; Valpedre é tradicional centro transformador de derivados de leite; S. Martinho de Recezinhos é uma das melhores regiões produtoras de gado e por todo o resto do Concelho nos vamos deparando com as mais diversas formas de exploração agrícola.
É assim Penafiel mas não é como era!




domingo, 4 de janeiro de 2004

FIGURAS TÍPICAS DO CONCELHO DE PENAFIEL!

 GENTE DE PENAFIEL!

Uns nasceram nos arredores da cidade de Penafiel outros nos arredores e freguesias próximas, mas eram na cidade que quase sempre se encontravam, quase sempre vestidos com a roupa melhor e pedindo, como forma de sustento a de pequenos vícios (nada comparado com os de hoje).
Quase sempre filhos de gente humilde. Diziam: O meu pai foi lavrador, de terras abastadas, comprava milho onze meses, e no fim quatro semanas.
Devem ter sido crianças como as outras. A malga do caldo e a côdea de broa ajudaram-no a crescer e, já é um moçoilo.

 
De todas as redondezas acorriam figuras marcantes á cidade de Penafiel, mercantis apinhados de romeiros e vistosamente engalanados com bandeiras e ramalhetes
Chegavam em rusga às inúmeras festas e feiras, e desde a partida, dançava-se, cantava-se e brincava-se durante a viagem e durante toda a noite na viagem de destino aos arredores da cidade.
Em redor das igrejas, só os mais velhos dormiam.
Nas barracas das feiras e recantos mais aconchegados a esteira era o colchão, de calça branca, camisa branca e trazendo à cinta um cifre de boi cheio de vinho, assim se encostavam a dormir.

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Nas romarias era também usual o cantar ao desafio, normalmente despique entre cantador e cantadeira. Segundo reza a tradição, estava uma certa cantadeira que não encontrava adversário à altura, embrulhando tudo e todos. Um velho aproximou-se para ver, mas reparando no velho em tal preparo, logo a cantadeira disparou:

 
O velho da calça branca, donde vem, para onde vai? O que traz aí à cinta é uma coisinha sua ou herança de seu pai? E o velho logo respondeu: Isto não é coisa minha nem herança de meu pai, é o corno do seu home que de maduro lhe cai!

 

O espanto estampava-se no rosto dos assistentes e não deverá haver nenhum recanto do nosso país, por mais recôndito que seja, próprio e até mesmo característico de ser e de estar na vida, a quem a perspicácia popular tornava as figuras inesquecíveis da tradicional rotina quotidiana das nossas vilas e aldeias.


Reflexos fiéis e exemplos rematados da mais pura idiossincrasia de um povo castiço como o português, cada vez mais raras. 

 

Assim o determina a inexorável mudança de hábitos - ou dos tais usos e costume, célere e implacável, para o limiar do terceiro milénio. Sardinha travou os melhores despiques nas feiras de S. Martinho. A fama dos dois era tal que, onde constasse que iam cantar, o povo acorria em magote para se deliciar com a irreverência de ambos que, de improviso, se zurziam, deixando todo o mundo espantado com a sua arte e mestria.

 

Nada ficou escrito, mas o povo registou na memória momentos inesquecíveis desses tempos.

 

Poder-se-ia acrescentar também, em muitos casos, as suas figuras típicas, personagens, diríamos "lendárias", detentoras de uma maneira muito pular desde logo rotulou com qualquer alcunha mais ou menos adaptada à sua personalidade ou defeito, também já descrito.

 

Novelas, 04 de Janeiro de 2004