segunda-feira, 19 de julho de 2004

DVD - 5 "RABANADAS DE NATAL".

O CONCERTO DE NATAL NA SANTA CASA!



O dia 12 de Dezembro de 2004 foi assinalado com um concerto dos “Rabanadas” que decorreu no auditório da Santa Casa da Misericórdia em Penafiel.
Como tudo na vida há coisas boas, e a época Natalícia não foge á regra, e felizmente ainda é composta pelo verdadeiro sentido da palavra “NATAL“.
Nessa face “para os Rabanadas, o Natal não é só nos dias próximos ao 25 de Dezembro, mas sim durante os 364 dias do ano onde este grupo de Novelas contam já com várias actuações notáveis e habitual participação em eventos.

Dirigido desde a sua origem por José Monteiro, este foi o primeiro projecto avançado por sua iniciativa que promete muito mais e no seu percurso musical, com anos de trabalho a fio. Soube muito bem gerir e agarrar a juventude desviando-os de caminhos sinuosos que a vida mais facilmente poderia oferecer á juventude.
Foi um sábado reservado para apresentação do Concerto Musical do “RABANADAS” que aproveitaram para presentear os idosos da Santa Casa da Misericórdia de Penafiel e cerca de meia centena de pessoas, que reuniu a Vereadora Dr.ª. Fátima e figuras daquela Instituição, proporcionando uma apresentação especial.



  O concerto de Natal de 2004 ficará registado como um concerto surpreendente uma vez que o orientador José Monteiro, não se cansou de agradecer e reconhecer os jovens que sempre estiveram á altura das suas melodias, recebendo como retribuição dos presentes calorosas salvas de palmas.
Foi também feita uma chamada de atenção, para a solidariedade nesta quadra natalícia a todas as pessoas, quantas vezes esbanjamos dinheiro em excesso, sem nunca nos lembrarmos daqueles que nem um pão tem para comer nessa noite.
Mensagens natalícias que pessoalmente me fizeram sentir sensibilizado.
Penso que cada pessoa deveria colocar a mão na sua consciência e meditar “Quantas vezes ajudamos quem mais precisa de nós? 
 


O talento e a capacidade de trabalho deste grupo, com a apresentação de um repertório em que as letras dos temas tradicionais alusivos ao Natal, chamam a atenção para esta quadra Natalícia, ficará certamente marcado neste auditório com as várias interpretações deste grupo.
Pessoalmente gostei e não me canso de dar a conhecer ao concelho de Penafiel as suas lindas melodias e o percurso feito por estes jovens cantores.
Obrigado.

Novelas 18 de Dezembro de 2004






domingo, 25 de abril de 2004

POBRES DE PENAFIEL NO SÉCULO PASSADO!

 A POBREZA!

 O mendigo pede esmola ou usa "uniforme" para pedir.
 
Umas caras esguias, com idade avançada pediam uns trocados em tardes de sol, de porta em porta pelas aldeias. 
.
Paravam junto ao portão de entrada lamentando-se da vida, puxavam o assunto, contavam as dificuldades, e pediam que lhe dessem alguma coisinha. Terminavam: “Deus o favoreça pelas alminhas que Deus lá tem”. Contavam histórias da vida, que cresceram órfãos e sempre “primeiro Jesus, depois o dinheiro. 
 

 
Outros havia que atrás de dinheiro fácil, se fantasiavam com uma roupa surrada ou então vestiam terno e gravata para impressionar.
Vale fazer cara de pelo amor de Deus com criança no colo, cantarolar, ou até usar cadeira de rodas mesmo sendo capaz de andar.
"Uma ajudinha para comer. Deus te abençoe", agradece. 
 
Com passos curtos, mão estendida e feição de desamparada, é raro não ser atendido.
O pedinte não culpa a paralisia nas pernas por não ter tido um emprego formal. "Na verdade, o problema é a falta de instrução."
"Sete anos desempregado. Peço uma ajuda. Agradeço!" 

 
 
  A mensagem na placa amarela que o senhor de barba branca carregava no pescoço enquanto caminha, mostrava mesmo ser pobre.
 
 Eram pobres que percorriam as aldeias, ficavam muito tempo em albergues e uns saíam, pois não podiam tomar uma bebida alcoólica nesses abrigos. 
 
 Esses apontavam para a garrafa e respondiam: “Só pinga” e ainda havia que diziam “Embora eu vou só quando morrer!”, e continuavam a pedir umas moedas.
Todos tinham um sonho, o de terem uma casa.
 

Mas a verdade é que a maioria acha que não só os pobres vão ser pedintes nos próximos tempos que vamos atravessar.
O país e uma grande parte da sociedade, pensa que actualmente vai ter que virar pedinte e Portugal vai também ter de pedir. 
 
Vamos então participar, em acções ou campanhas de solidariedade para com aqueles que sofrem as maiores dificuldades económicas, caso contrário todos teremos a perder e mais tarde ou mais cedo poderemos virar pobres indigentes como nos anos cinquenta.

Novelas 03 de Janeiro de 2004





sábado, 6 de março de 2004

DVD - 4 "GENTE DE OUTROS TEMPOS.".

PENAFIEL ANOS 50!


   Os anos 50 foram marcados por grandes avanços científicos, tecnológicos, mudanças culturais e comportamentais. Foi a década em que começaram as transmissões de televisão, provocando uma grande mudança nos meios de comunicação. Terminavam anos de guerra e do racionamento. A mulher dos anos 50 tornou-se mais feminina, metros e metros de tecido eram gastos para confeccionar um vestido, bem amplo e na altura dos tornozelos. No entanto, nem todos podiam gozar desse privilégio, nas aldeias e cidades afastadas dos grandes centros viviam-se grandes dificuldades Neste contexto faz-se então a narrativa. Construída através das pequenas e grandes viagens de múltiplas pessoas e suas inusitadas e criativas relações entre tempo e espaço, um olhar desprendido, mas não isento de intenção, que coloca em primeiro lugar a profissão, deixa que a lógica das quantias e quantidades ou a mensuração de índices económicos não sejam os determinantes, mas que venham acompanhar um certo modo de ver e contar a história de um povo e de uma terra.Trajectos quotidianamente planeados e executados definem maneiras de acordar, arrumar cestos, inventar pregões.
 
    Mas, afinal, quem são eles?
    Os “vendedores ambulantes” impõem uma leitura diferenciada. A condição de passagem sugerem um lugar incerto, nem sempre fácil de ser apreendido e compreendido; mas é esse ir e vir que lhes fixa a imagem e lhes define a identidade.
   Se toda profissão exige regularidade, a deles é preparar-se para imprevistos de toda sorte e ao longo da história, misturam-se as famílias que se deslocavam de uma freguesia à outra. 
   Associavam-se facilmente, e com bastante pertinência, a imagens dos nómadas e migrantes. Em maior ou menor grau, contribuem para a expressão espacial de modos de viver e também de morrer, já que a maioria desse contingente humano dedica-se a uma actividade sujeita a grandes riscos.



    Quem é pobre, a pouco se apega e o galinheiro era nos anos 50, uma profissão nobre.

   No entanto nem um qualquer criava galinhas para vender. Mas o galinheiro usava essa profissão para ganhar dinheiro.



“Olha a galinha!”.



    Em meio a grupos e populações com forte tradição de nomadismo, localizam-se ambulantes como a sardinheira. Havia a mais diversidade de ambulantes que exigiam cautela no emprego, da categoria de forma satisfatória há muita descontinuidade, nas diferentes trajectórias.
    As excedentes de mão-de-obra do campo chegam na cidade, onde exerciam trabalhos manuais não especializados e muitos tentavam novas profissões.
Os pregoeiros constituíam uma categoria especial, pela maneira quase poética de anunciar os produtos. Faziam do comércio de rua uma fonte de renda e nada como criar um atractivo a mais, com frases típicas e versos para ajudar na venda.
    Passavam, num passo cadenciado, procurando distribuir melhor o peso, cantando o seu pregão:

“Sardinha chegada agora.... tá fresquinha... olha que beleza, não quer comprar, freguesa...”.




Eram profissões que envolviam deslocamento permanente, retiravam de quem as exercia uma identidade adequada a padrões, valorizados pelos mais abastados.
    O moleiro, era um profissional especializado que tinha uma grande importância na vida e na economia, das sociedades tradicionais rurais e urbanas, era também uma personagem característica nas aldeias, acompanhava a pé o burro que carregava farinha, proveniente dos moinhos.
    Existiam algumas considerações sociais de valor negativo em relação ao seu ofício, cuja relevância se manteve acentuada enquanto os moinhos foram o meio preferencial de produção da farinha necessária ao fabrico do pão, que então era a base da dieta alimentar das referidas sociedades.
Apesar de necessitarem de um caudal de água para o seu funcionamento, por uma multiplicidade de factores naturais sociais e económicos, na moagem em moinhos junto aos rios era frequente situações anómalas, que se prendiam com Invernos rigorosos deixando famílias sem farinha para cozer o pão.
      A existência de inúmeros cursos de água com um acentuado desnível e sujeitos a cheias, assim como o facto de em muitas regiões do país, os moinhos serem colectivos ou de proprietários que cediam aos seus vizinhos o direito de moer mediante o pagamento de uma percentagem em farinha, fez com que esta profissão perdura-se. No entanto, isso em nada favoreceu a introdução de melhoramentos mecânicos com vista ao aumento de produção.





Deus te salve, se não fosse pelas contas que tenho a dar, nem um saco ao dono havia de mandar.


     Um trabalho característico nas aldeias eram o trabalho de Tanoeiro. Os instrumentos de trabalho dos tanoeiros são a enxó a raspadeira, além do banco, utensílio essenciais para que se pudesse tornear a madeira dando-lhe a forma de aduela.
    Para emborcar a madeira que vai constituir o barril, ela era primeiramente aquecida no fogo durante pelo menos uma hora, depois uma vez aquecida, ela não se partia e permitia a aplicação de arcos metálicos para a manter bem apertada.
  Utilizando-se de todo esse conhecimento a respeito do vinho, após anos de experimentos, passando por carros de bois, carregados para diversos lugares inúmeras vezes, serviu desta forma para correcções que se prendiam com a reparação.
  Hoje em dia os processos de transporte, engarrafamento, rolhagem e rotulagem das garrafas estão modernizado e levaram á extinção da profissão. O tanoeiro hoje limita-se artesanalmente à reparação de recipientes e construção de barris decorativos, e em nada se compara com a sua verdadeira profissão.


Se queres bom vinho arrolha bem o barril.




   Quem nunca precisou tirar uma foto 3x4 urgente e procurou em alguma praça ou jardim público, um fotógrafo popular operando uma máquina mágica parecida com um velho caixote? Pode causar estranheza, mas tem sua razão de ser.
  Talvez as novas gerações das grandes cidades não conheçam o trabalho, do seu poderoso engenho, que sintetiza numa única peça as funções de câmara e laboratório solar.
   Mas a origem, histórica e papel social do profissional, é desconhecida por muita gente.
  Para evitar que a chapa com emulsão ficasse voltada para o fundo do chassis, provocando assim a perda do foco, e em consequência de nitidez, molhava-se a ponta do indicador e do polegar com saliva.
  A pressão dos dois dedos sobre um dos cantos do material sensível, evitava manchas. O lado da emulsão dava leve impressão de "colagem" no dedo.
   O bom desempenho profissional dependia de vários factores. Primeiro, a luz.
   O melhor dia era o dia de sol, e encontrar um desses fotógrafos na praça era indicação de bom tempo.
  Desde o início, a sua produção desvalorizada por estúdios fotográficos, garantiam qualidade técnica e pretensão artística.
  Ficou então tão dispersa e esquecida, que ainda hoje é difícil reunir uma colecção que esgote o universo intuitivo e criador do fotógrafo de jardim.


Para ser bom retratista é preciso ficar de olho nas nuvens.


Barbeiro é uma profissão que se entrelaça em suas origens, alimentando por muito tempo o imaginário popular.
  Almanaques mineiros discriminavam aqueles que eram apenas barbeiros e os que acumulavam as funções de barbeiro e cabeleireiro.
   Mas o trabalho não englobava só as habilidades de fazer a barba.
  Aos barbeiros, acrescia ao fato de saírem das camadas pobres da sociedade e a demanda pelo serviço dependia também da moda.
  Sobre o material de trabalho, consta que tradicionalmente utilizavam bacia de latão modelada de forma a se adaptar ao pescoço, o próprio dedo ou uma noz por dentro da boca do cliente, para melhor escanhoar. Era a barba de caroço ou barba de dedo.
  O barbeiro ambulante usava também o artifício de pedir ao freguês para fazer bochecha, facilitando, assim, o movimento da navalha.
  Com a navalha na mão, o barbeiro assinalava quão desagradável era ver um banco no meio da rua, com a cara entregue às mãos do outro que o ensaboa e barbeia, como se estivesse na sua loja.
  Por outro lado, confiar navalhas afiadas aos outros não deixava de ser arriscado. O instrumento de trabalho do barbeiro poderia transformar-se em arma.
Também corto cabelo. Espera só um bocadinho que eu vou aqui ao lado beber um copinho.


Queres uma tigela.




  O posto dos correios era no centro da cidade situado ao lado do Edifício da Câmara, hoje PT comunicações, um edifício com a fachada em redondo.
  Havia uma placa pendurada num poste perto da entrada com o cavalinho em fundo azul e “CTT” escrito a branco (Correios Telégrafos e Telefones...)
  Entrava-se para a sala onde funcionava o posto do correio. Tinha um balcão a todo o correr, uma parede coberta por um armário em madeira com os “cacifos” dos apartados particulares e dos lugares de distribuição da área, e a um lado da sala a secretária da encarregada e um cofre-forte.
  O posto dos Correios era dirigido por uma senhora, baixa, de ar frágil e uma cara oval, onde presidiam uns óculos arredondados, ancorados nos cabelos, amarrados num “puxo” atrás da cabeça, e que lhe davam um ar austero e um pouco severo...
  O correio chegava pelo primeiro comboio da manhã, á estação de Novelas num vagão especial, pintado de vermelho, dedicada aos CTT.
  Era distribuído em grandes sacos de lona cinzentos, com o carimbo dos correios imprimido a negro ou a vermelho no exterior, que eram transportados em diligência até ao centro da cidade.
  Os sacos tinham um cadeado, que era aberto com uma chave especial As pessoas conversavam, enquanto esperavam e alguns aproveitavam para fazer alguns cobres como engraxador aviando o freguês e a telegrafista aguardava o primeiro recado. Logo que chegava algum telegrama, o fazia chegar a quem de direito.


Telegrama, Telegrama.

sexta-feira, 5 de março de 2004

GENTE DE OUTROS TEMPOS ( CONTINUAÇÃO)


 O AZEITEIRO

   O carro de bois e a carroça de cavalos, eram ainda utilizados por alguns lavradores, pelos moleiros e pelo azeiteiro, mas sentia-se que o seu tempo passava.   Os tractores e os camiões começavam a aparecer no mercado, mas eram raros, e contavam-se pelos dedos de uma mão os proprietários desses veículos.
  Enquanto isso, o Azeiteiro profissão de comercialização, com um burro ou cavalo ainda que obedecendo a determinados prazos, era o meio de transporte mais comum utilizado por homens que comercializavam azeite.
   No comércio do azeite, bem como de uma maneira geral, no de todos os outros produtos alimentares, as mulheres desempenhavam um papel predominante.
  O intermediário era livre de comprar o azeite aos produtores e, depois, vende-lo.


Oh! Azeite doce, quem quer azeite doce.


   A par com o comércio tradicional de azeite viam-se também, os aguadeiros.
   Eram eles que comercializavam a água das fontes.
Iam de burro para a cidade vender a água dentro de bilhas, mas por vezes também levavam estas bilhas, a casa dos habitantes mais ricos.
  As fontes fecharam durante o Estado Novo, porque se dizia que as suas águas estavam contaminadas, e quando estas reabriram, algumas passaram a ser privadas. Assim, os aguadeiros foram perdendo a sua importância.
  Os famosos aguadeiros, na sua maioria, andavam pelas ruas nas feiras, carregavam barris de água que vendiam a quem passava. Mais tarde viam-se a apregoar água doce, uma forma de rentabilizar a profissão que estava em vias de extinção.



Ela é da bica! Ela é fresquinha.


  Uma pessoa tradicionalmente homem que entrega leite em garrafas de leite ou em vasilhas de latão chamava-se Leiteiro. A entrega de leite era frequente
  Ocorria de manhã e não éra raro, eles entregarem outros tipos de produtos além do leite, como: ovos e creme, queijo, refrigerante e iogurte ou manteiga.
  O termo "leiteiro" era usado para referir o homem ou mulher que exercia esta profissão.



Oh! Freguesa lá do primeiro, venha à vaquinha, cá está o leiteiro.


  Era raro ver uma mulher de bicicleta. Como era uma compra importante nesses tempos, a bicicleta era tratada com carinho e amor, e era comum ver as pessoas aos domingos e dias santos a lava-las e oleá-las e a porem-nas a brilhar.
  A bicicleta dava mais autonomia à gente trabalhadora pois permitia-lhes deslocarem-se para distâncias maiores sem depender dos transportes públicos, controlando o seu horário.
  Nos estádios de futebol era comum existirem arrumadores, garantindo a sua segurança enquanto assistiam ao desafio.



Nem pense nisso ninguém mexe, eu garanto um bom serviço.

  E logo no início de Outubro se começavam a vender, nos centros e também junto aos estádios onde se juntava muita gente
   Para deixar as castanhas tão vistosas está o lume, feito com um carvão mineral.
O passe de magia, deixa a casca da castanha como que pintada de um branco suave, o que atrai os clientes.
  Ao longo dos anos têm sentido as mudanças impostas pelo tempo, já não se usam os jornais para fazer os cones, porque é proibido, mas o formato característico mantém-se.
  Agora com papel sem tinta conforme manda a lei. As castanhas querem lume brando.
Se assar castanhas tem os seus segredos, também saber escolher o melhor fruto para vender pelas ruas da cidade tem a sua sabedoria. Na verdade o cheiro não deixa margem para dúvida, o Outono já chegou.


Quentes e boas... oh freguês é croa a dúzia.


  De freguesia em freguesia, de rua em rua, percorrendo os recantos mais distantes do concelho, carregavam os produtos, á mão ou numa carroça.
  O nome "pregoeiro", originário de apregoar, alardear, anunciar, provavelmente saiu das páginas de livros de literatura. Pois quem exerce a função se considera simplesmente “vendedor ambulante”.
  Eram gente de outros tempos!


Novelas 22 de Fevereiro de 2004




quinta-feira, 5 de fevereiro de 2004

PENAFIEL NO SÉCULO PASSADO

PENAFIEL - ARRIFANA DE SOUSA


Como fica dito, o nome Penafiel vem de há muitos anos e de muito longe e, segundo a informação “o concelho de Penafiel é isto, mas não só. É também tudo o que lá está construído e adquirido pelo Homem através de séculos de arte, técnica e saberes acumulados.
Deixe-se pois, viajar por aqui. Faça-o com os olhos bem abertos e os ouvidos nada moucos. O verde rodeia-o. Um tom mais escuro será certamente o dos pinheirais e giestas, o verde mais vivo é o da relva e dos milheirais e o mais seco é seguramente o das vinhas.”

 

De Penafiel faz parte a freguesia de Novelas,  esta é a terra que  também viu nascer meus pais, meus avós e meus bisavós e só por isso, sinto uma enorme alegria de viver e também de aqui nascer. Novelas, tem uma história milenar e merece ainda mais. «È muito grande em cultura e associativismo, é mágica e não é necessário perder-se tempo com pequenas coisas medíocres e sem importância, para caracterizar os objectivos, que fizeram e fazem com que seja um terra de cultura uma terra de glória uma terra de vencedores» O seu nome teve origem, antes da fundação da nacionalidade, e esta terra preparava o título á muitos anos. Lá cruzaram-se e passaram grandes homens dos sectores, político-sociais, culturais e desportivo, que muito orgulharam o nome desta Freguesia. Integrante no concelho de Penafiel, Cidade sede do Concelho do mesmo nome, situa-se a 302 metros de altitude, Entre-os-rios Sousa e Cavalum, numa encruzilhada de caminhos e ponto de passagem obrigatório entre o Porto e Vila Real.
 

Pertence ao Distrito do Porto, precisando-se apenas de 20 minutos para cumprir os 30 km que a separam da Capital Nortenha. O seu território, envolvido a Norte pelo rio Sousa e terras dos Municípios de Lousada e Amarante, a Nascente pelo Concelho de Marco de Canavezes e rio Tâmega, a Poente pelos Concelhos de Gondomar, Paredes e novamente pelo rio Sousa e a Sul pelo rio Douro, espraia-se por uma área de aproximadamente 212,82 Km2, repartidos por 38 Freguesias. Alfabeticamente ordenadas, são as seguintes: Abragão, Boelhe, Bustelo, Cabeça Santa, Canelas, Capela, Castelões, Croca, Duas Igrejas, Eja, Figueira, Fonte Arcada, Galegos, Guilhufe, Irivo, Lagares, Luzim, Marecos, Milhundos, Novelas, Oldrões, Paço de Sousa, Paredes, Penafiel, Peroselo, Pinheiro, Portela, Rans, Rio Mau, Rio de Moinhos, S. Mamede de Recesinhos, S. Martinho de Recesinhos, Santa Marta, Santiago de Subarrifana, Sebolido, Urrô, Valpedre e Vila Cova. Geologicamente o granito é nota dominante e a sua exploração ocupa lugar proeminente nas actividades produtivas. Sousa, Tâmega e Douro são os seus principais cursos de água. Como corolário os terrenos são férteis, com grande variedade de produções, nomeadamente milho, feijão, frutas, vinhas e hortícolas, sem esquecer a pecuária. Assim temos que, o extremo Oriente, na Freguesia de Abragão, tem excelentes solos e produz vinhos muito apreciados; A Sul, o milho e a videira coexistem com a floresta de resinosas, e eucalipto, fonte de receita para o Concelho; A pecuária, tanto na carne como no leite constitui outra riqueza; Rio Mau tem no mel o seu ex-libris; Valpedre é tradicional centro transformador de derivados de leite; S. Martinho de Recezinhos é uma das melhores regiões produtoras de gado e por todo o resto do Concelho nos vamos deparando com as mais diversas formas de exploração agrícola.
É assim Penafiel mas não é como era!




domingo, 4 de janeiro de 2004

FIGURAS TÍPICAS DO CONCELHO DE PENAFIEL!

 GENTE DE PENAFIEL!

Uns nasceram nos arredores da cidade de Penafiel outros nos arredores e freguesias próximas, mas eram na cidade que quase sempre se encontravam, quase sempre vestidos com a roupa melhor e pedindo, como forma de sustento a de pequenos vícios (nada comparado com os de hoje).
Quase sempre filhos de gente humilde. Diziam: O meu pai foi lavrador, de terras abastadas, comprava milho onze meses, e no fim quatro semanas.
Devem ter sido crianças como as outras. A malga do caldo e a côdea de broa ajudaram-no a crescer e, já é um moçoilo.

 
De todas as redondezas acorriam figuras marcantes á cidade de Penafiel, mercantis apinhados de romeiros e vistosamente engalanados com bandeiras e ramalhetes
Chegavam em rusga às inúmeras festas e feiras, e desde a partida, dançava-se, cantava-se e brincava-se durante a viagem e durante toda a noite na viagem de destino aos arredores da cidade.
Em redor das igrejas, só os mais velhos dormiam.
Nas barracas das feiras e recantos mais aconchegados a esteira era o colchão, de calça branca, camisa branca e trazendo à cinta um cifre de boi cheio de vinho, assim se encostavam a dormir.

 ~
Nas romarias era também usual o cantar ao desafio, normalmente despique entre cantador e cantadeira. Segundo reza a tradição, estava uma certa cantadeira que não encontrava adversário à altura, embrulhando tudo e todos. Um velho aproximou-se para ver, mas reparando no velho em tal preparo, logo a cantadeira disparou:

 
O velho da calça branca, donde vem, para onde vai? O que traz aí à cinta é uma coisinha sua ou herança de seu pai? E o velho logo respondeu: Isto não é coisa minha nem herança de meu pai, é o corno do seu home que de maduro lhe cai!

 

O espanto estampava-se no rosto dos assistentes e não deverá haver nenhum recanto do nosso país, por mais recôndito que seja, próprio e até mesmo característico de ser e de estar na vida, a quem a perspicácia popular tornava as figuras inesquecíveis da tradicional rotina quotidiana das nossas vilas e aldeias.


Reflexos fiéis e exemplos rematados da mais pura idiossincrasia de um povo castiço como o português, cada vez mais raras. 

 

Assim o determina a inexorável mudança de hábitos - ou dos tais usos e costume, célere e implacável, para o limiar do terceiro milénio. Sardinha travou os melhores despiques nas feiras de S. Martinho. A fama dos dois era tal que, onde constasse que iam cantar, o povo acorria em magote para se deliciar com a irreverência de ambos que, de improviso, se zurziam, deixando todo o mundo espantado com a sua arte e mestria.

 

Nada ficou escrito, mas o povo registou na memória momentos inesquecíveis desses tempos.

 

Poder-se-ia acrescentar também, em muitos casos, as suas figuras típicas, personagens, diríamos "lendárias", detentoras de uma maneira muito pular desde logo rotulou com qualquer alcunha mais ou menos adaptada à sua personalidade ou defeito, também já descrito.

 

Novelas, 04 de Janeiro de 2004